Tenho andado saudosista. As viagens permitem-nos isso mesmo: viver em pleno, e sonhar alto quando nos lembramos das experiências enriquecedoras que tivemos.
Hoje, e para dar continuidade a um primeiro post acerca do Interrail que fiz no Verão, começo por relembrar a primeira cidade onde estive - Barcelona, um amor eterno.
Costuma-se dizer que quem não bebe água da fonte de Canalets, nas Ramblas não volta à cidade... estive lá há uns dezoito anos, e voltei... mas desta vez bebi, só para garantir que um dia estou de volta.
E aproveito para desabafar, com um grande aperto no coração, que esta poderia ter sido a minha cidade durante os seis meses de Erasmus, que não realizei, com muita muita pena.
Como já disse, este foi o primeiro destino e chegámos de avião, o low cost acaba por ser mais vantajoso do que irmos de comboio e poupámos algum tempo.
Chegámos de noite, o que dificulta sempre as coisas quando estamos à procura do que quer que seja.
Começou logo por ser a camioneta que nos levava do aeroporto até ao centro da cidade. Um detalhe importante, e que fizemos para todas as cidades por onde passámos, foi ter um mapa específico desde a estação/paragem de autocarros até ao hotel, com a indicação das ruas. Caso contrário teria sido quase impossível encontrar os sítios certos. Mesmo assim, e considerando que era de noite, ainda demos umas belas voltas e acabámos por perguntar ao queridos espanhóis onde era a rua indicada no mapa.
Ficámos no Hola Hostel Eixample, reservado pelo Hostels World como quase todos os outros, e gostámos. Não tínhamos grandes expectativas nem modo de comparação... mas chegando ao fim da viagem percebemos que alguns hosteis têm este problema: aceitam mais pessoas do que as capacidades que têm e acaba por ser um bocadinho desorganizado.
Ainda assim, tínhamos cozinha onde pudemos preparar os nosso almoços e jantares (havia um supermercado mesmo ao lado do hostel) e tinha um ambiente convidativo. E basicamente era utilizado para dormir. Tomávamos o pequeno almoço (incluído no preço da estadia), preparávamos logo o almoço e seguíamos caminho, aproveitando o dia todo para visitar a cidade.
Em Barcelona ficámos duas noites, o que permite, para além de visitar a cidade com mais calma, descansar antes de arrancar de comboio para o próximo destino.
Nesta cidade é tudo maravilhoso e digno de visita.
Começámos pela Sagrada Família, obra interminável mas de tirar a respiração.
Percorremos ruas e ruas até chegarmos à Casa Milá e Casa Batlló.
Daqui fomos vagueando até nos aproximarmos do litoral onde almoçámos o nosso maravilhoso arroz de atum. Ramblas a tarde toda até chegarmos perto do Arco do Triunfo.
Ao fim do dia, par aproveitarmos tudo até à última, fomos ainda até ao Parque de Montjuic, e queridas alminhas do céu, todo um fim de dia extraordinário aconteceu ali. Um fim de tarde quente, com um crepúsculo excepcional e as fontes, mesmo desligadas, eram qualquer coisinha.
Tivemos uma sorte tremenda e esteve calor e sol em praticamente todo o lado.
Para o segundo dia, optámos por ir ao Parque Guell - a pé. O senhor do hostel disse que era relativamente perto, fazia-se bem a pé. Só se esqueceu de dizer que era sempre a subir e que eram para cima de 20km. Mas chegámos lá, debaixo de um sol arrebatador, loucos de sede e eu com uma dor terrível causada pelos meus ténis novos. Dica: nunca, mas nunca, levar ténis por estrear. Torna-se malvados e ganham dentes.
Sobrevivemos e a descer, todos os santos ajudam.
Exaustos, derretidos do sol e com as pernas a tremer, fomos até ao hostel e descansámos um pouco antes de pegar nas nossas queridas malas, leves que nem penas, e irmos para a estação.
Despedimo-nos de Barcelona com muito amor, e prometemos voltar. A bem dizer, prometi voltar a todas as cidades. É uma cidade louca, e acho que o calor de Verão ajuda, torna as noites mágicas e parece que está tudo no sítio certo. Fomos muito muito felizes.
Fotografias de pouca qualidade - não levámos máquina e só tínhamos os iphones - mas que permitem matar estas saudades que atacam devagarinho e nos deixam com uma vontade louca de apanhar o próximo avião.
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