Perú - o País Surpreendente

by - setembro 07, 2017


Aos que seguiram a viagem mais de perto puderam perceber: fiquei fascinada com o país, adorei cada recanto e todas as cidades e locais foram uma surpresa para mim. 
O Perú é muito mais daquilo que imaginei. Tinha estudado, folheado o guia de viagem feito pela professora de história cá de casa, explorado os segredos íntimos dos incas. E fiquei surpreendida ainda assim. 
O Perú é um mundo só por si: as pessoas, incríveis, com expressões tão características, sempre a combinar de forma quase perfeita com os tons dos panos que envergam, a simpatia, sem se transformar numa ingerência, torna-os um povo amável e cativante. São simples, modestos, paupérrimos, e ainda assim conseguem devolver-nos sempre um sorriso.
Se tivesse que escolher uma imagem para descrever o Perú e aquilo que senti, seria mil vezes a de cima. Não desvalorizando as enormes maravilhas do mundo que possui, para mim, este país é feito e transborda o seu povo. São as cores vivas, aliadas a este tom de pele, à fisionomia tão típica que transforma esta gente e a torna tão especial. Diz muito mais acerca de um país quem vive nele e os seus hábitos do que propriamente os museus e os monumentos - que apesar de ricos em história, não passam disso - enquanto que as pessoas - serão sempre pessoas.


A gastronomia. E que gastronomia. Há variedade para todo o tipo de pessoas, para todos os estilos de alimentação que praticam. Vieram deste berço muitos dos alimentos que hoje conhecemos e tão comummente consumimos, como é o exemplo das batatas. São mais de três mil e quinhentas espécies. Ora, metem batata em milhares de pratos - um dos quais adorei - as Causas - e que já podemos degustar em alguns restaurantes em Portugal (como o Segundo Muelle). Outro exemplo é o milho, consumido frito ou cozido, em muitos dos pratos típicos peruanos. Sem deixar esquecer o amigo ceviche (ou cebiche - como escrevem também por lá) que era qualquer coisa de chorar por mais. Também muito em voga por Portugal, e já com barbas no Perú é a quinoa. Considerada pela ONU como o único ingrediente de origem vegetal que contém todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano, teve a sua origem há mais de 4 mil anos nos Andes. E experimentei-a de várias formas, uma delas ao pequeno almoço numa espécie de granola. 



Não menos importante e que representa um dos pontos fortes deste povo são as lãs - especialmente a de alpaca - com um textura extraordinariamente suave e fina, muito muito confortável e passível de ser tingida com vários tons - mais naturais quando derivados de produtos da natureza como representado na imagem. Fomos alertados para um factor importante: todas as roupas tingidas com tons muito fortes representavam produtos sintéticos, considerando que os naturais teriam e originariam cores mais escuras e monótonas. 
Fiquei apaixonada por diversas coisas: luvas, mantas, cachecóis e as carpetes. Trouxe o que o espaço da mala me permitiu!



Uma surpresa muito grande foi o Lago Titicaca. Considerado o lago mais alto do mundo capaz de ser navegado, tem uma dimensão que não consegui sequer visualizar, fazendo fronteira com o Perú e a Bolívia. Aqui, tivemos a oportunidade de visitar a Ilha dos Uros, um povo característico como só ele, que vive em ilhas auto fabricadas - e móveis - onde vivem com as condições essenciais à sobrevivência. Pormenor interessante: o presidente aquando da sua visita a estas ilhas apercebeu-se da escuridão e da dificuldade em iluminar os espaços durante a noite. Ofereceu a todas as ilhas painéis solares e hoje existe luz em algumas das divisões.


Fascínio são as estradas infinitas que atravessam o Altiplano Peruano, e onde parámos para namorar Lamas e Alpacas.




Um lugar que trouxe no coração, e que se calhar me cativou pela forma como me foi apresentado pelo guia do dia - um verdadeiro contador de histórias -  foi Ollantaytambo. Qual engenharia, matemática e arquitectura. Este lugar representa a tríade mais importante para o Incas - os três mundos - compostos pelo Condor, pela Puma e pela Serpente. Aqui, neste local, encontramos três zonas principais - a zona de culto, a zona agrícola - extraordinariamente importantes para a cultura, e a zona onde a população residia. Foi incrível perceber a inteligência com que foi construído este lugar mas partindo de um ponto importante - os Incas, que existiram durante cerca de 300 anos, tiveram nos seus ancestrais a sua principal inspiração. Surgiram muitos anos antes as ideias geniais, e foram postas em prática muitas das coisas que vemos hoje - como as zonas criadas nas rochas para dissipar a energia sísmica excessiva. Não retirando protagonismo aos Incas - que foram de facto soberanos para a época - há que pensar um pouco mais além e compreender que na base de tudo aquilo que fizeram e construíram estiveram outros povos e civilizações, muitos anos antes, tão ou mais geniais que eles. 





O Perú foi também uma adaptação à altitude. Fomos percorrendo vários locais com altitudes diferentes, a rondar os 3000 metros. Não cumpri algumas das recomendações, como tomar Carbinib, e confiei em demasia no chá de Coca e nas plantas que curavam os males da altitude. Não foi fácil, principalmente considerando que já sou miúda para sofrer de enxaquecas, e tive umas valentes. Chá de coca diariamente, inspirar álcool e cheirar as tais plantas lá ia ajudando, mas não o suficiente. Foi a única parte menos boa. Isso, e as viagens cansativas que acabámos por fazer entre cidades - eram muito distantes umas das outras. Tivemos apenas um voo interno, tudo o resto foi feito de autocarro e sim, é extremamente cansativo. 


Entrei neste país com um objectivo: aprender muito, desfrutar de tudo o que tinha à minha volta e trazer alguma riqueza cultural, para mim e para os outros. Tentei compreender rotinas e modos de vida, explorar a gastronomia (não, não fui capaz de experimentar nem Alpaca nem Cuy ou Porquinho da Índia - mas tive disponível para tudo o resto), captar muitas imagens que me servissem para contar histórias. E a verdade é que cada fotografia vale uma história, que irei partilhar aqui. 


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