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Uma vida gourmet

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Podemos ultrapassar os formalismos e passar brevemente para a parte em que somos-felizes-para-sempre? Fosse assim tão fácil e há muito tempo que teria desaparecido pelos confins desta fotografia, sem nunca mais querer cair na real. A realidade dói, é penosa, envolve algum sacrifício e amor pela camisola. E eu quis mesmo acreditar que tinha escolhido a minha realidade dolorosa, aquela pela qual ia dar o litro e o quilo, e receber em retorno tudo ou mais daquilo a que lhe dedicaria. Mas a realidade dói, mesmo. E por perceber que, infelizmente, são mais as derrotas - pessoais - que as vitórias profissionais, optei por dar uma volta de muitos graus, ao ponto de ficar zonza e cair redonda no chão, cheia de medo de arriscar. Mas das lições giras que vamos tirando disto tudo, é que é mais provável riscar sonhos da lista quando arriscamos saltar além da zona de conforto.
Não é fácil, garanto-vos: trocar o conforto, o salário, a estabilidade, os colegas do caraças, a experiência e a profissão que escolhemos abraçar - por um mundo novo que não fazemos ideia do que nos pode acrescentar. Mas hoje, sem vacilar, vos garanto também: trocava todos os dias, e troco, os turnos instáveis, por uma rotina que na minha vida inconstante me garante algum conforto, as noites sofridas e intermináveis, pela companhia da minha família, na minha casa, e a incoerência pela criatividade. 
O mundo da enfermagem contagiou-me, seduziu-me e continua a fazer-me crer que o nosso melhor pode mesmo acrescentar algo à vida de alguém. E o melhor disto tudo, é que apesar de ter abdicado da carreira hospitalar, posso continuar a implementar os meus projectos naquilo que para mim sempre fez mais sentido nesta profissão - educar. A deseducação, o stress, a desmotivação estavam a trair a imagem que criei com carinho da profissão que escolhi. E continuo a recusar-me a conciliar conformismo com quero-ser-feliz.
Arrisquei. Tirei uma carta do baralho, mesmo sem saber jogar. Mas acredito que o nervosismo do desconhecido me leva sempre a querer saber mais e a acrescentar mais à pessoa que quero ser. 
Todos os projectos podem ser experiências que nos encham as medidas, os sonhos e o coração, desde que nos proponhamos a isso.
O relógio acaba sempre por despertar. Esgotam-se os minutos, urge a mudança e quando olhamos à nossa volta, quase num rodopio, percebemos e visualizamos tanta coisa que continua a acontecer... porque permanecemos nós onde não queremos estar?
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Inês | 24 anos | Lisboa | "O mundo é por aqui"

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