Quero fazer um interrail - e agora?

by - fevereiro 18, 2016

A primeira decisão foi tomada com alguma facilidade: queremos fazer uma viagem pela Europa. Agora, do momento em que se toma essa decisão, até ao momento em que estamos de mochila às costas, prontos para partir, há todo um trabalho de equipa para fazer e muitos planos a considerar.
Fiz o meu interrail no Verão de 2015, a dois, e visitei várias cidades europeias.

Mas vou começar pelo início.

Depois de sabermos que queríamos fazer esta viagem, fomos interarmo-nos do tipo de passes e das ofertas que existiam para fazer o interrail. Aqui, podem consultar as várias propostas e os vários passes, que diferem essencialmente no tempo de duração da viagem e na possibilidade de viajar de forma contínua ou programada. Ou seja, passes Flexi de 10 dias em 1 mês, por exemplo, permitem fazer dez dias de viagens em comboios, durante um mês. Não precisam de ser sequenciais, e podemos/devemos escolher os dias em que viajamos. Os passes contínuos permitem-nos viajar a qualquer momento sem grandes preocupações.
Uma nota importante a reter, mas mais a frente posso esclarecer melhor: alguns comboios exigem reservas obrigatória. Ou seja, em muitos comboios basta ver horários e apanhar boleia, noutros, precisamos de fazer uma reserva antecipada e normalmente tem um valor acrescido. 
A opção dos dois, depois de pensarmos por alto quais as cidades a visitar, e para que a viagem fosse mais tranquila, optámos pelo bilhete de 22 dias contínuo. Isso permitir-no-ia viajar quando quiséssemos, em qualquer dia e horário. Comprámos o passe e gastámos 374€.

Segundo passo: descarregar a aplicação do interrail para o telemóvel. É extremamente prática, intuitiva e permite, com alguma facilidade, aceder a todos os comboios, em todas as datas e horários, para perceber que ligações estão disponíveis. E esta parte dá trabalho. Podíamos sempre ter optado por ir, somente, com a mochila às costas e sem planos. Mas se calhar não teria corrido tão bem porque, como já disse, há muitos detalhes que precisam de ser bem coordenados. Por exemplo, se existirem trocas entre dois comboios para chegar de um destino a outro, convém saber com algum cuidado quais os horários e linhas para chegarmos atempadamente ao local pretendido.
Daqui, prioritário foi pegar no mapa da Europa e perceber quais as cidades que pretendíamos visitar. A seguir, perceber quais as proximidades e pesquisar na aplicação se havia ligações entre cidades e quais as melhores opções.

Depois deste passo, e já com alguns dos percursos definidos, fomos perceber quais, dos comboios escolhidos, tinham reserva obrigatória. E aqui surgiu outro grande desafio: contactar as estações/bilheteiras dos vários países (por telefone e email) para fazer reservas. Tivemos uma ajuda espectacular, de amigos que já tinham feito um interrail e que já tinham muitos dos contactos necessários. Ao todo reservamos 5 ou 6 comboios. Ao passe de interrail, acresceu o valor de 186€, totalizando cerca de 560€ só em viagens. Importa referir que, em Portugal, o bilhete de interrail não é válido e teriam que ser pagas as viagens até Espanha. Para poupar dinheiro e tempo, optámos por viajar de avião lowcost até Barcelona (o nosso primeiro destino) e também no regresso, de Nice para Lisboa. Assim, gastámos em viagens cerca de 691€.

Uma questão importante: tentar ao máximo reservar com antecedência comboios que exijam reservas. Porquê? Correm o risco, como nos aconteceu a nós, de chegar à bilheteira e pedir uma couchette (lugar deitado) e estar tudo esgotado. Resultado: dormir 12 horas sentada numa cadeira apertada, entre romenos e italianos estranhos. Muito desconfortável, e é importante lembrar que todos os momentos de viagem são bons para descansar, por isso, se puderem investir e conseguirem reservar lugares deitados, melhor. 

Depois das viagens pagas e programadas - fizemos ficheiros Excel com todos os comboios (partida, destino, horário e número do comboio - tudo disponível na app) - foi a altura certa para começarmos a aferir outros pormenores. Onde ficar?
Basicamente conseguimos "distribuir" as cidades de forma a que nunca fizéssemos mais de duas cidades umas a seguir às outras. Isto é, chegar a uma cidade, ir para um hostel dormir, e no dia a seguir visitar essa cidade e partir para outra. É desgastante, apesar de maravilhoso, e às vezes sabe bem largar as mochilas por dois dias, dormir duas noites no mesmo sítio, e então, com as energias renovadas, seguir para outro lugar. 

Tivemos alguma sorte e encontrámos uma boa plataforma para estadias. Foi através deste site que efectuámos praticamente todas as reservas (outras foram feitas pelo Booking.com): vantagem número um - preços baixos; vantagem número dois - só pagávamos um sinal e o restante valor no local, quando chegássemos.
Encontrámos coisas muito giras, outras nem tanto mas a graça reside um bocadinho aí - ir à descoberta. 

As despesas dos hosteis rondaram os 400€ por pessoa. Ou seja, um total de viagem em 1091€ até agora. 
A este valor importou ainda somar o dinheiro que fomos gastando em alimentação - fomos muito práticos e inteligentes. A grande maioria dos hosteis tinha cozinha e fazíamos refeições para o dia todo. Não nos faltaram bolachas, iogurtes, peças de fruta, sandes e claro, arroz de atum e salada russa. Também fomos jantando umas quantas vezes em restaurantes, para tirar a barriga da miséria e celebrar. 
Para além disso, fizemos questão de investir em entradas em museus, visitas guiadas e coisas do género - mas que valessem realmente a pena. 
Nisto, gastámos cerca de 300€ - totalizando aproximadamente 1400€.

Resumindo, é importante escolher o tipo de passe, perceber que cidades se pretende visitar e estipular um percurso, considerando as muitas reformulações possíveis e acontecimentos inesperados à última da hora. Depois, reservar o que for necessário reservar e começar a escolher estadias.
O último passo, e se calhar aquele que sempre me deu mais gozo fazer, foi estudar e criar um guia de viagem, onde, para cada cidade, se realçavam as principais atracções com alguns detalhes históricos. 

Vou, ao longo do tempo, expor a minha passagem pelas várias cidades, de forma cronológica, para explicar de forma mais detalhada alguns pormenores e alguns truques. Mas não há nada melhor, depois de quase 3 meses a preparar esta viagem, que saboreá-la e vivê-la intensamente.
Fica o vídeo, e o percurso ;)

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