Sobre mudanças

by - janeiro 28, 2018


A renitência é sempre a nossa melhor amiga. É sempre um passo medroso (ou troquem-se as consoantes de forma indiscreta), um arriscar no desconhecido, o romper com um conformismo que sempre nos agradou, mas que impediu, sempre,  de crescer. Que ousadia é esta de ponderar mudanças, de querer a diferença, a insegurança, a novidade, quando o conforto é aquilo para o qual acordamos todos os dias?
Que audácia é esta de crer que há mais e melhor para além do habitual. Que a nossa felicidade e estabilidade podem ser encontradas para além dos desafios, não tão desafiantes, do dia-a-dia?
Não é tão revitalizante, isto de não ceder a temeridades e seguir? Partir, mudar, trocar o garantido pela incerto, virar a página sem perder o rumo? Perceber que até mesmo na mudança está um grande acto de coragem e um quero-o-melhor, por mim e para mim. 
Não há nada de errado em querer mudar. Em olhar para o plano de fundo que é a vida e perceber onde queremos chegar e a fase em que nos encontramos. Há que acreditar no timing da vida, e saber que tudo acontecerá no tempo certo, sem ceder a pressas e impulsividades. Tudo acaba por chegar, para nos felicitar por esta irreverência, esta mania de sermos donas do nosso destino e senhoras das nossas manias. E depois há esta necessidade constante de busca pelo desafio, o estado de superação que não nos larga e nos impede de estagnar. Há uma beleza irónica em querer incessamentemente procurar por algo, algo maior, algo diferente, que nos preencha e complete em diferentes fases da nossa vida. Sem nunca mas nunca perder o fio condutor que nos permite ir adiante, mas voltar sempre ao mesmo lugar. 

E porque, sempre tão acertada e tão dentro da minha cabeça, cito Sofia,

"o estado de superação é o estado que não me larga. é a constância da minha vida que não me deixa afastar de mim, que não me permite desistir nem adormecer. é o melhor amigo da esperança que trago do lado de dentro e que me lembra que amanhã pode ser muito diferente, muito melhor, se eu quiser que seja. às vezes teimo em ouvir uma voz que me diz que não vou conseguir, que é muito difícil, que se calhar é melhor desistir. aprendi a respirar fundo. não a calo. mas aprendi a deixar falar mais alto os pequenos balões de oxigénio que existem ao longo do meu caminho: quando não há certezas de nada confia-se na voz do coração. porque é a que faz mais sentido. porque é nela que devemos confiar para atrair a felicidade que queremos para os nossos passos. 
continuo a não ter certezas que tudo vai dar certo. mas sei o que me move: acreditar que vai. e é assim que vou. e é assim que sou."

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