Um ano depois - e somos 4!

by - outubro 27, 2018

Acho que continuo de olhos fechados num estado letárgico, respiração suspensa. Mas não, não é um sonho. É uma realidade bastante completa e que me rouba umas boas gargalhadas há um ano.
Embarcámos numa aventura os dois um bocado a medo, mas com muita curiosidade do que era viver em casal. Ui no início parece tudo um festival, só amor e amassos e... um ano depois é exactamente igual, suas invejosas!
É desafiante. É uma cooperação, um jogo de necessidades que estão constantemente a precisar de ser supridas. E não estou só a falar de nós, mas também da casa.
Obras que acabaram e recomeçaram imediatamente, tão bem que ficaram da primeira vez. Sabiam que obras - em geral - levam uma pessoa ao extremo? À exaustão, ao limite a tentar perceber quando é que vamos quebrar. A mim apeteceu-me mandar os móveis pela janela e partir tudo. Mas vá, lá me controlei e conseguimos, como boa equipa que somos, pôr tudo a funcionar, com alguns sacrifícios e usufruir deste pequeno T2. 
Mas é tão bom, tão bom ter manhas e manias e mau feitio e implicar com um santo que não faz mal a uma mosca. Mas convinha que pelo menos estendesse uma roupita ou lavasse uma loucinha. Estou a brincar. Um negócio que acordámos logo desde início é que ele tratava da cozinha, das refeições, da limpeza, das gatas, das consultas, e tudo e tudo, e eu ficava a assistir. Famílias modernas. 


Mas partindo um bocado para o ridículo da questão - isto de ter uma casa é muita giro para convidar amigos, dar jantaradas, ter gatos e tal. Mas e o comum? Aquilo que reclamei infinitamente em casa dos meus pais e aqui sou eu a reclamar que não está feito? 
- Podes por a mesa enquanto acabo o jantar?
- Achas que somos da EDP? Merda das luzes sempre acesas.
- Anda cá abaixo ajudar-me com os sacos (3º andar sem elevador)
- Hoje aspiro eu e ficas tu com WC e cozinha tá?
- Arruma lá a tua roupa que já não encontro o piano aí debaixo
- Vamos ver um filme? (3 horas depois) se calhar é melhor andar para trás e ver uma série...
- Temos que comprar comida para as gatas, andam a água há um mês! (estou a gozaaaaaaar não me levem os animais!)

Cá por casa... só mais umas coisas!
  • Sou uma eterna obcecada com a limpeza e organização, e credo, acabo de estender uma máquina de roupa e já tenho a da loiça para arrumar, ou 10 kg de roupa para passar. A sério? As tarefas crescem e acumulam-se. Não podemos simplesmente tratar da roupa para sempre? Temos mesmo que a lavar e passar e arrumar? E a empregada, quando chega? 
  • Já para não falar no maior pesadelo - que por enquanto está à minha responsabilidade - fazer máquinas da roupa. Não imaginam a quantidade de chamadas que fiz para a minha mãe nos primeiros seis meses. Salvou-me sempre, não estraguei roupa. Ainda. As minhas vizinhas devem é continuar  gozar com a forma como a estendo. É digno de uma obra de arte. Mas seca sempre. 
  • Cozinhar também se revela um desafio. Eu gosto de sal. Ele não. Eu sou mais de dietas, ele é mais de meter tudo o que são especiarias num arroz branco. Eu preparo refeições, faço marmitas, deixo tudo preparado de um dia para o outro, ele acorda vinte minutos antes de sair e faz tuuuuuuuuudo. A voar. Veste preto com vermelho com castanho e azul escuro. Mas está sempre lindo.
  • Somos apologistas da poupança de água nos banhos! 
Isto para dizer que sou - somos! - muito feliz há um ano. Como assim, não viemos há uma semana?
É incrível a forma como duas pessoas se começam a articular, com algum jogo de cintura, cedências de ambas as partas e tudo flui. Há crises. Há. Mas passam e levam-nos a uma organização e coordenação muito melhores. 
Não acreditem que é tudo facilidades e que as tarefas se fazem sozinhas. Requer organizar, estipular prioridades, fazer um calendário com tarefas. Mas o mais importante, para além das obrigatoriedades, é rir muito, fazer muita cócega, muita ronha no domingo, preparar refeições surpresa com carinho, beber um gin ao fim de um dia difícil, ver o por-do-sol da janela, montar a árvore de natal, namorar muito com velas por todo o lado... e fazer crescer aquilo que nos faz realmente feliz. Um rema de um lado e o outro rema do outro. E o barco vai navegando.

Acho que te devo um enorme obrigada. Porquê tu já sabes!


Sejam felizes ❥ eu, tu e as miúdas, somos muito, muito ❥

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